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Em parceria com a Embrapa e o IFPR: projeto inédito no Brasil transforma Rio Belém em laboratório vivo

Iniciativa consolida modelo de restauração ecológica urbana com participação de estudantes

15
Apr
2026

Um trecho do Rio Belém, de Curitiba (PR), historicamente impactado pela urbanização, está se tornando referência nacional em restauração ecológica e educação científica. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR) e pela Embrapa Florestas, com o apoio da Associação de Educação Personalizada (AEP), mantenedora do Colégio do Bosque Mananciais, completa seus primeiros ciclos com resultados positivos: o crescimento vigoroso da vegetação plantada e o início de estudos avançados sobre a fauna local.

O projeto inédito em todo o Brasil - e com potencial de replicabilidade - ainda traz outro ponto fundamental: além de participar de todas as etapas, as alunas também são agentes ativos na produção de dados, no acompanhamento das etapas e na construção do conhecimento.

Iniciado no segundo semestre do ano passado e com duração de 36 meses, o projeto utiliza soluções baseadas na natureza para estabilizar as margens do rio, evitando a concretagem. Os resultados iniciais indicam respostas otimistas: as mudas plantadas no final de 2025, no trecho que atravessa o terreno do Colégio, apresentam desenvolvimento consistente em altura e vigor. “O trabalho de campo assume papel central no processo formativo. As mudas foram plantadas por estudantes de diferentes séries, com a participação de professores e colaboradores do projeto. Todo o processo científico é acompanhado pelos alunos, que participam das atividades de identificação e análise em uma abordagem de ciência cidadã que conecta o ensino à produção de conhecimento”, afirma o Diretor Geral do Colégio do Bosque Mananciais, Alexandre Velilla Garcia.

A grande novidade deste semestre é o início do monitoramento sistemático de organismos-chave para a regeneração natural, especialmente polinizadores e dispersores de sementes, como abelhas nativas sem ferrão, besouros, borboletas, mariposas, aves e pequenos mamíferos. O professor Gledson Bianconi, do IFPR, um dos coordenadores do projeto, destaca a importância desse contato direto com o método científico para a formação dos estudantes: “Não estamos apenas observando a natureza; estamos ensinando a coletar dados reais, analisar o solo e a vegetação e compreender as interações ecológicas, como a polinização e a dispersão de sementes realizadas por diferentes grupos da fauna. O objetivo é que os alunos e alunas vejam o Rio Belém não como um problema da cidade, mas como um ecossistema cuja recuperação eles têm competência técnica para compreender e apoiar”, explica Bianconi. “A metodologia que está sendo utilizada na execução do projeto poderá ser replicada em áreas degradadas de rios urbanos em outras cidades”, diz Ingo Isernhagen, pesquisador da Embrapa.

Mais do que recuperar um trecho específico, o projeto busca justamente consolidar um modelo replicável de restauração ecológica urbana. A ideia é integrar conservação da biodiversidade, soluções baseadas na natureza e educação científica com a participação ativa da comunidade escolar. Para o diretor executivo da AEP, Roberto Abia Fernández, a iniciativa gera modelos de manejo que podem servir de subsídio para futuras políticas públicas de conservação e gestão de áreas verdes em contextos urbanos.

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