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DICA DE LEITURA: A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói

Confira esta dica incrível de Leitura!

31
Ago
2023

– "Senhores – exclamou. – Morreu Ivan Ilitch.”

(TOLSTÓI. Léon)

Ora, não venham me acusar de spoiler! rsrs

Tolstói não faz segredo sobre qual o fim daria a Ivan Yegorovich Shebek. A surpresa, na verdade, fica por conta do livro tratar mais sobre a vida do que sobre a morte de Ivan.

O autor nos apresenta um personagem fortemente marcado pela mediocridade, seja nos valores, seja na vida prática. Ainda que, de início, ele pudesse perceber uma inclinação da sua consciência para a Verdade, era capaz de logo repensar suas convicções se parecesse conveniente:

“Ainda quando estudante fizera coisas que lhe pareceram vis e na ocasião o fizeram sentir-se enojado consigo, mas, mais tarde, percebendo que a mesma conduta era adotada por pessoas do mais alto nível e elas não a consideravam errada, chegou a não exatamente tê-las como certas, mas a simplesmente esquecê-las ou a não se incomodar ao lembrá-las.”

Sem autonomia para estabelecer sobre si mesmo ou sobre suas circunstâncias uma opinião, era na conveniência que acabava baseando suas relações, fossem as amizades ou, até mesmo, seu malfadado casamento.

“No início Ivan Ilitch não tinha intenções definidas de casamento, mas, ao percebê-la apaixonada, perguntou-se: 'Afinal de contas, por que não casar?'. Praskovya Fiodorovna vinha de boa família, não era nada feia e tinha algumas posses. Ivan Ilitch certamente aspirava a um casamento melhor, mas mesmo esse não era mau arranjo.”

É desnecessário dizer que a união com dona Praskovya não foi das mais bem sucedidas, não é mesmo? Passados poucos meses os dois mal se suportavam e, não sendo bom em iniciar e preservar boas amizades, para Ivan sobrou se concentrar no trabalho, no que logrou considerável êxito.

Ao se descobrir doente e solitário, sem alguém que pudesse oferecer cuidado ou compreensão, Ivan começa a refletir sobre o modo como conduziu a própria vida e se vê ante uma série de erros que, somados, levaram-no à situação na qual se encontra – não por conta da sua doença  (que não é denominada por Tolstói), mas pelas circunstâncias que ela desvela.

Não tendo construído uma família, círculo de amizades ou quaisquer outras relações baseando-se na Verdade, Ivan se depara com o sofrimento de uma vida sem sentido, na qual ele, mesmo quando fez o que era correto, o fez pelas razões erradas.

Nesses derradeiros momentos da sua vida, foi no jovem camponês Gerassim, seu empregado, que ele encontrou caridade e sincera preocupação. E, em meio a todas as agonias da doença, ele alcança sua epifania - que não vou revelar aqui, é claro! hehe

Apesar de sua brevidade, A morte de Ivan Ilitch deixa seu leitor, ao final, com a convicção de que "tamanho não é documento". Mesmo se estendendo por cerca de apenas cem páginas, esta novela, profunda o suficiente para penetrar no íntimo da alma humana, tem atravessado gerações, suscitando nas mais variadas pessoas as reflexões mais pungentes sobre o significado do que fazemos de nossas vidas.

 

Leiam e me contem o que acharam!

Elidária Rocha

Bibliotecária do Colégio do Bosque Mananciais

Formada em Biblioteconomia e Gestão pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Para saber mais sobre o acervo da nossa biblioteca converse com a Eli pelo biblioteca@bosquemananciais.org.br

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