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Oito considerações sobre a Educação Single Sex

Dados veiculados pela European Association of Single Sex Education (EASSE) - por Solar Colégios

12
Nov

1. IGUALDADE DE OPORTUNIDADES PARA MENINAS E MENINOS

A educação singular é um modelo pedagógico que, partindo da igualdade entre os sexos, permite personalizar a educação, adaptando-se aos estilos de aprendizagem de meninos e meninas. A educação singular permite uma real igualdade de oportunidades dos alunos, sem limitar as suas capacidades nem condicionar as opções de futuro para meninos e meninas. Essa opção educativa vem crescendo com força em todo o mundo, em âmbitos, países, culturas e realidades políticas muito diversas, mas, especialmente, nos países mais avançados. Este modelo de organização escolar é mais uma forma de escolarização dentro do sistema educativo global, com uma força e benefícios próprios que enriquecem o leque de possibilidades educativas da sociedade.

É uma opção que se adapta a todo tipo de meios e necessidades educativas: escolas de um só sexo, classes diferenciadas por sexo em escolas mistas, em determinados momentos do processo educativo ou para disciplinas concretas. Este modelo de organização escolar oferece, para meninas e meninos, as mesmas oportunidades educativas, ou seja, o mesmo currículo, a mesma exigência acadêmica, a mesma qualidade de instalações escolares e um corpo docente qualificado.


2. MELHORA O CLIMA ESCOLAR

A educação singular oferece aos alunos um ambiente de aprendizagem livre de pressões sociais, estereótipos e convencionalismos. Assim ambos os sexos podem explorar com mais serenidade os seus pontos fortes e relacionar-se com os âmbitos acadêmicos de uma maneira mais desinibida. Este modelo de organização escolar cria um ambiente escolar com um tom marcadamente mais formativo e acadêmico.

Vantagens para as meninas
Os ambientes single-sex desafiam a cultura de gênero que, com frequência, rodeia as disciplinas das escolas mistas, classificando-as como matérias “de meninos” ou “de meninas”. Numa escola singular, as meninas podem experimentar, com mais liberdade, disciplinas tradicionalmente consideradas “masculinas”, ver do que são capazes, ganhar autoestima e liberdade acadêmica. Além do mais, as meninas aprendem e se movimentam num clima alternativo que reduz a obsessão social e midiática pela estética e pelo culto ao corpo.

Vantagens para os meninos
Nas escolas single-sex, os meninos aprendem num ambiente que filtra muitas das atitudes anti-acadêmicas da masculinidade. Estudam num espaço seguro e motivador, que lhes permite desejar, exibir e combinar o sucesso desportivo e o sucesso acadêmico. Os meninos beneficiam-se de maneira especial do leque de modelos positivos de masculinidade, oferecido pelos professores. Aprender num meio que minimiza os efeitos indesejados da polarização sexual contribui para a descoberta e o desabrochar da personalidade e estimula a procura de preferências e vocações profissionais com maior amplitude.


3. FACILITA O SUCESSO ESCOLAR

Alguns países como Estados Unidos, Austrália, Grã-Bretanha, Alemanha, Noruega e França introduziram experiências e/ou programas específicos de educação singular como meio para reduzir o fracasso escolar e melhorar os resultados acadêmicos entre os meninos.

A Comissão Europeia reafirmou o objetivo de, em 2020, o abandono escolar ser inferior a 10 por cento em toda a UE. Em 2011, o abandono educativo, percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que não completou a educação secundária obrigatória, situa-se em 13,5% (11,6% no caso das moças contra 15,3% dos rapazes).

Os dados publicados pelos organismos internacionais refletem que o componente sexual é determinante nos números do fracasso escolar, cada vez maior entre os rapazes, com especial incidência em países como: Malta (38,9%), Espanha (31%), Portugal (28,2%), Islândia (22,2%) e Itália (21%).

A educação singular, ao respeitar os ritmos de maturação e os estilos de aprendizagem de meninos e meninas, consegue bons resultados acadêmicos, contribuindo para a redução do fracasso escolar.

Fontes
Early leavers from education and training by sex 2011. % of the population aged 18-24 with at most lower secondary education and not in
further education or training. Eurostat.



4. PARA A EXCELÊNCIA ACADÊMICA

A educação singular não só pode ajudar a reduzir o fracasso escolar como também melhorar o rendimento dos alunos. Os bons resultados acadêmicos são um dos motivos pelos quais as famílias escolhem a educação singular.

A Inglaterra é um dos países com maior tradição em centros educativos que fazem uma separação por sexos. Em 2012, das dez melhores escolas do país, oito são escolas singulares, quatro escolas singulares para meninas e quatro para meninos. Em 2002, um estudo da National Foundation for Educational Research sobre 3000 Liceus da Inglaterra assinalava que o rendimento acadêmico das moças e rapazes de escolas estatais single-sex era significativamente melhor do que nas escolas mistas. Baseado nesses dados, o Office for Standars in Education – Órgão Consultivo Oficial do Reino Unido – recomenda a separação por sexos nas escolas para evitar as grandes diferenças educativas entre alunos e alunas. Além disso, de acordo os resultados divulgados pelo Telegraph, o jornal mais vendido na Grã-Bretanha, os colégios de educação singular obtêm melhores resultados nas provas de Ensino Secundário do que os colégios de ensino misto.

Algo similar acontece com a educação no Canadá, onde mais de metade dos vinte centros de ensino com resultados acadêmicos mais brilhantes são exclusivos para meninos ou meninas.

Na Austrália, o Australian Council for Educational Research chegou a conclusões similares no ano de 2001, depois de realizar uma pesquisa em que participaram 370 000 alunos. Segundo este órgão não governamental, os alunos educados em salas de aula single-sex tinham obtido resultados acadêmicos entre 15% e 22% melhores do que os que frequentavam escolas mistas.

Fontes
Equal and Different? Yes, but what Really Matters? Também http://www.acer.edu.au
A-Level results 2012: results from 427 state schools. The Daily Telegraph 17 de agosto de 2012http://www.telegraph.co.uk/education/leaguetables/9482674/A-Level-results-2012-results-from-427-state-schools.html



5. AMPLIA AS OPÇÕES PROFISSIONAIS

A educação singular revela-se efetiva para a liberdade pessoal na assunção de papéis considerados próprios do outro sexo, minimiza os estereótipos e abre a porta à escolha de matérias consideradas tradicionalmente de “meninas” ou de “meninos”, com menos pressões sociais.

Aprender num meio que minimiza os efeitos indesejados dos estereótipos de gênero contribui para a descoberta e o desabrochar da personalidade e permite ampliar as preferências e saídas profissionais, tanto para meninas como para meninos.

Segundo foi publicado pela Eurydice, a Agência Executiva no Âmbito Educativo, Audiovisual e Cultural da Comissão Europeia apresentou, em 2009, o estudo Diferenças de gênero nos resultados educativos: medidas adotadas e situação atual na Europa, onde se afirmava: “Este tipo de educação proporciona a rapazes e moças maior liberdade para escolher matérias não associadas ao seu sexo, oferece maior espaço às moças e contribui para aumentar a sua autoestima, e fomenta o esforço nos rapazes por não terem de preocupar-se com a sua imagem enquanto estudantes.” (Cap. 6, p. 85).

A uma conclusão similar chega o sociólogo norte-americano Cornelius Riordan:
“O primeiro aspecto a considerar na escola single-sex é o fato de fornecer para meninas e meninos melhores modelos de sucesso pessoal para cada sexo. As escolas singulares podem ser especialmente benéficas para as meninas, já que as melhores estudantes em todos os âmbitos acadêmicos serão do sexo feminino e, portanto, adequadas para servir de modelo. Além do mais, o pessoal docente nas escolas femininas costuma ser feminino. Algo semelhante pode ser dito sobre as escolas masculinas, nelas apresentam-se mais modelos pró-acadêmicos do sexo masculino, legitimando o ser bom estudante apesar de se ser homem.”

Na Alemanha, a ministra da Educação Annete Shave (CSU) impulsionou um plano com o lema “Komm, mach MINT!” (Vem e participa!), que pretende incentivar as jovens estudantes a escolher licenciaturas no âmbito das matemáticas, informática, ciências naturais e técnicas.

Alguns países puseram em funcionamento iniciativas concretas dirigidas a atrair um maior número de rapazes para a docência. A Irlanda, os Países Baixos, a Inglaterra, Suécia e República Checa lançaram programas específicos e/ou campanhas para atrair rapazes para a docência ao nível do primeiro ciclo e para evitar que os estudantes que se estão formando como docentes abandonem essa carreira.

Segundo um estudo realizado pela EASSE (European Association of Single-Sex Education), entre os centros educativos associados, a percentagem de alunas de colégios femininos que opta por cursos universitários do âmbito técnico-científico aumenta notavelmente. Por outro lado, o número de alunos do sexo masculino que decide realizar o Magistério, um curso universitário com escassa presença masculina, é muito superior à média europeia.

Fontes
Diferenças de gênero nos resultados educativos: medidas adotadas e situação atual na Europa. Eurydice, 2009
Indicator D5. Who aret he teachers? Education at a Glance 2012 OECD Indicators



6. FAVORECE A COESÃO SOCIAL

São notáveis os exemplos que demonstram que a educação singular pode ajudar a combater o fracasso escolar e fomentar a igualdade de oportunidades entre os alunos com uma situação socioeconômica desfavorecida.

A experiência dos EUA
Em 2001, o Congresso dos EUA aprovou a lei No Child Left Behind Act (“Que nenhuma criança fique para trás”) para fazer frente ao fracasso escolar. A lei tornou possível que os centros de educação pública incorporassem programas de educação singular. Em menos de 10 anos os centros públicos com estas características superaram o meio milhar, com resultados muito positivos. Tanto Barack Obama, presidente dos EUA, como Arne Duncan, secretário de Estado da Educação, manifestaram-se publicamente a favor do modelo.

Um caso emblemático
O caso mais emblemático é o da Young Women’s Leadership School – New York, uma escola single-sex do Harlem e Bronx, onde 70% das famílias vive abaixo do limiar de pobreza. A escola foi fundada em 1996. No ano de 2002, a percentagem de acesso à universidade foi de 96%, em comparação com os 50% em média, em Nova Iorque. Estes resultados mantiveram-se e, no ano de 2006, a TYWLS East Harlem obteve o primeiro lugar por proporção de graduados, com 100%. Em 2007, este indicador foi de 97%, em comparação com a média da cidade, que se manteve em 50%.

Assim, a Young Women’s Leadership Foundation iniciou a experiência noutras escolas. Atualmente, a sua rede de centros educativos oferece educação a 1652 moças em zonas economicamente desfavorecidas, entre os 12 e os 18 anos em Nova Iorque, Filadélfia e Chicago. No decurso de 2007-2008, a origem demográfica das suas estudantes era: 51% afro-americanas, 35% latinas, 9% asiáticas e 5% de outras procedências.

Uma iniciativa em favor dos meninos
Nos bairros mais desfavorecidos de Chicago, só um em cada 40 alunos afro-americanos chegava à universidade. Devido a estes números tão preocupantes nasceu o projeto Prep Urban Project – escola secundária pública para meninos afro-americanos, na qual se entra por sorteio. A quota de sucesso escolar destes centros educativos é superior a 95%.

Fontes
– Duncan can provide change we need. Chicago Tribune, Letter to the Editor 12/19/2008
– Charter Schools, Why they work. Plus: Arne Duncan talks education. Chicago Magazine. Febrero de 2009



7. ENRIQUECE AS OPÇÕES EDUCATIVAS

A educação singular é uma opção escolar do presente e com muito futuro. Na atualidade, inúmeros países ocidentais reconhecem o contributo que a educação singular pode dar para a resolução dos problemas mais prementes dos seus sistemas educativos e possibilitam juridicamente a criação de escolas single-sex.

Alguns dos países mais avançados do mundo, como a Alemanha, os Estados Unidos ou a Dinamarca, oferecem classes single-sex dentro da escola pública, enriquecendo o leque de possibilidades educativas da sociedade. Além do mais, existe uma ampla literatura acadêmica, proveniente, sobretudo de países anglo-saxões, sobre os efeitos da educação singular como complemento à heterogeneidade.

Em todo o mundo, há décadas que se considera a educação singular como uma opção educativa legítima, merecedora de ser objeto da pesquisa acadêmica universitária.

O comissário Europeu da Educação e Cultura, Jan Figel, posicionou-se abertamente sobre a educação single-sex: “A Europa é suficientemente ampla para dar espaço a todos os modelos educativos. Não estamos contra a educação singular e não imporemos um modelo, porque não queremos estabelecer um sistema único.” Entrevista a Jan Figel, publicada pelo jornal La Razón em 18 de Maio de 2009.


8. COM O APOIO DOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS

À luz dos seus benefícios, a educação singular é apoiada pelos diferentes tratados internacionais de referência em educação e pela legislação específica de diversos países da OCDE.

UNESCO
A UNESCO determina que não é discriminação “criar ou manter sistemas ou estabelecimentos de ensino separados para os alunos de sexo masculino e para os de sexo feminino” (Art. 2 da Convenção relativa à luta contra as discriminações na esfera do ensino, 14 de Dezembro de 1960, ratificado em 1999 pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU).

Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 26, 3: “Os pais terão direito preferencial a escolher o tipo de educação que deverá ser dada aos seus filhos.”

A Diretiva do Conselho da União Europeia 2004/113/CE, de 13 de Dezembro de 2004, sobre o Princípio de Igualdade de tratamento entre homens e mulheres no acesso a bens e serviços e fornecimentos, exclui do seu âmbito de aplicação os meios de comunicação, a publicidade e a educação pública e privada (Considerando 13 e Artigo 3.3).

Apoiada pelas legislações educativas da maioria dos países europeus.
Países como a França, Itália, Alemanha ou Bélgica aplicam esta Diretiva, ratificando a legitimidade da educação singular. A França aprovou no mês de Agosto de 2012 a Lei n.º 2012-954, na qual se transpõe diversas disposições do Direito Comunitário no âmbito da luta contra a discriminação, e estabelece a validade da educação singular como modelo pedagógico e nega um caráter de discriminação.

Acordo com os Direitos Fundamentais da União Europeia.
A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Artigo 14.3) reconhece a liberdade de criação de centros docentes e o direito das famílias a educar os seus filhos segundo as suas próprias convicções pedagógicas.

Extraído e adaptado de www.easse.org

 

   
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